
Hermanas em Travessia foi marcada para o início de 2026 e apresenta-se como uma expedição de travessia pela Chapada Diamantina. A iniciativa percorreu o maciço do Transsincorá, na Bahia, seguindo a rota sul a norte de Ibicoara a Lençóis, com desfecho no Morro do Pai Inácio.

A Transsincorá é um trekking de longa distância que acompanha a Serra do Sincorá e atravessa o Parque Nacional da Chapada Diamantina. O percurso cruza áreas remotas do parque e se diferencia das rotas tradicionais: é uma rota relativamente pouco conhecida e menos sinalizada que clássicos como o Vale do Pati.
O território é historicamente associado ao garimpo de diamantes, uma marca na história e identidade local. Trechos apresentam calor, chuva e segmentos com pouca civilização, tornando a passagem técnica — exige autonomia, navegação precisa e resistência para jornadas em áreas isoladas.

Destaques do evento
O destaque maior foi um marco histórico: a primeira expedição exclusivamente feminina a completar a Transsincorá de forma independente. O grupo adotou o nome oficial Hermanas em Travessia, que traduz o espírito coletivo da jornada.
A iniciativa nasceu da parceria entre o projeto brasileiro Mulheres e Montanhas e o coletivo latino-americano Mujer Montaña. Ambas organizações constam como parceiras oficiais da expedição.
Durante a travessia, houve contatos locais em povoados como Mucugê e Vale do Capão. Esses povoados foram apontados como pontos de contato ao longo da rota.
O registro fotográfico e a documentação foram realizados por Griselda Moreno (@mujermontania). Esse material documenta visualmente a passagem de Hermanas em Travessia pela região.

Brasileiros em destaque
Brilho e liderança brasileira aparecem com força: Amanda Alvernaz, idealizadora do Mulheres e Montanhas, deixou a carreira corporativa para se tornar guia e liderar iniciativas de montanhismo. O projeto Mulheres e Montanhas, criado em 2019, ganhou corpo como uma referência nacional para formação e empoderamento feminino nas trilhas. No núcleo de liderança do projeto estão Kellyns Cristina e Joanna Dorini, que coordenam ações e a organização do grupo.
A presença feminina também se consolidou por meio da Associação Rainhas da Serra, a primeira associação de guias mulheres do Brasil, cujas fundadoras são da Bahia. As guias Bel e Bete foram responsáveis pela condução do grupo durante a expedição, garantindo segurança e protagonismo feminino nas trilhas. Juntas, essas lideranças e organizações desenham o mapa de uma presença brasileira forte e organizada na aventura.

Resultados
A expedição deixou resultados mensuráveis: 130 quilômetros percorridos a pé ao longo de sete dias. Participaram 21 mulheres de oito nacionalidades — Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, Porto Rico, El Salvador, Panamá e México.
O percurso foi realizado de forma autônoma, com acampamento selvagem, exigindo planejamento e autosuficiência da equipe. Durante o projeto foi ministrado o curso Wilderness First Aid (WFA) pela Samanta Chu ( Wilderness Medical Associates International Brasil), oferecendo formação em atendimento de campo para situações remotas.
Como legado concreto, 11 guias locais foram formadas e certificadas pelo WFA. O curso também foi oferecido a valor acessível para mulheres guias locais, deixando uma base prática de capacitação para atuação em ambientes selvagens.

A colaboração operacional e simbólica entre Mulheres e Montanhas e Mujer Montaña foi concretizada em 2026, marcando um capítulo histórico na articulação regional. Mujer Montaña, criado por Griselda Moreno (Argentina) e Denys Sanjinés (Bolívia), juntou forças com a iniciativa brasileira para ampliar alcance e impacto. A articulação com a Associação Rainhas da Serra mobilizou guias locais da Bahia, garantindo presença e saberes locais essenciais ao projeto.
O propósito declarado de Mulheres e Montanhas — fortalecer autonomia, autoconfiança e liderança feminina por meio da montanha — ganha agora um legado institucional e comunicacional mais sólido. A parceria consolidada deixa rastros importantes para a visibilidade e sustentabilidade de futuras ações. Para acompanhar o trabalho e obter mais informações, siga os perfis @mulheresemontanhas e @mujermontania no Instagram.
